Sucesso de mercado: a que custo?

O sucesso e o crescimento da indústria de games possibilitaram a criação de jogos com escopos maiores e mais bem desenvolvidos, com centenas de profissionais de diversas áreas trabalhando juntos e utilizando o melhor da tecnologia para chegar a um resultado incrível. Para conseguir desenvolver esse tipo de jogo, porém, é necessária uma enorme quantidade de capital, tanto no desenvolvimento em si quanto no marketing, o que acaba trazendo alguns problemas.

As desenvolvedoras apresentam o game que elas querem construir para as publishers (distribuidoras de games) em busca do investimento, mostrando não apenas como será o jogo em si, mas os planos de marketing, público alvo, custos e perspectivas de lucro. Como estamos falando em um investimento de milhares e às vezes milhões de dólares, um jogo muito diferente com fórmulas ainda não testadas no mercado é um grande risco que ninguém está disposto a correr.

Existem maneiras de reduzir esse risco, como desenvolver um jogo menor ou optar pela distribuição digital, mas algumas dessas maneiras acabam destruindo o jogo, como por exemplo:

Número um: uniformização dos jogos. Para aumentar as vendas tudo o que você precisa é de um mercado maior. Jogos são uniformizados e generalizados para atenderem a um público mais amplo. Não importa se deveria ser um jogo violento, tira-se o sangue para a faixa etária cair.

Número dois: gastar milhões desenvolvendo gráficos e cenas cinematográficas. Apesar de, sem dúvida serem muito atraentes (principalmente da maneira que são exploradas no marketing), se as desenvolvedoras se concentram nelas, ao custo da jogabilidade e mecânicas do game, elas se tornam apenas um enfeite bonito.

Número três: copiar de um jogo de sucesso. Esse não precisa de explicação. Uma desenvolvedora teve sucesso com um tipo de jogo, significa que existe um mercado para ele,  e então cópias e mais cópias são desenvolvidas.

Por isso jogos como Journey e Flower são muito bons. Porque eles são autênticos. Tratam-se de games relativamente pequenos que provam que para se produzir um jogo bom não é necessário gráficos ultra realistas, super cenas cinematográficas ou um escopo imenso, basta uma ideia bem desenvolvida e a coragem para criar o jogo do jeito que ele deve ser. É uma pena que o mercado de games esteja se voltando cada vez mais para o lucro, um lugar onde o sucesso e a qualidade de um jogo são determinados pelo número de vendas e não o contrário.